
Felicidade
Havia ali um retrato. A tinta, uma fina película, já estava descascando, mas a expressão feliz do homem retratado não podia ser escondida por rachaduras. Sentiu uma alegria muito grande em encontrar, finalmente, o retrato. Tirou-o do ambiente escuro e o empacotou com um papel sujo. Levou para o Escort e colocou cuidadosamente no porta-malas.
- Obrigado moço. O senhor não sabe o bem que me fez - agradeceu a velhinha - passei sessenta anos da minha vida procurando este retrato.
- Imagine, minha senhora... é o meu trabalho.
- Não, não, não! O senhor fez bem mais do que o seu trabalho - disse a asenhora, derramando algumas lágrimas - sabe moço, é o meu pai... a última lembrança que restou dele...
Despediu-se da mulher e entrou no Escort, pensando consigo:
- E eu que achava que a felicidade era receber dois mil e quinhentos reais para encontrar um retrato...