
Balé do Sol
Saiu, descalça, sentindo entre os dedos o chão gelado. Olhou pra cima e sorriu ao ver sua paleta de cores preferida. Azul, branco, amarelo, rosa, laranja. E os pássaros riscavam o céu como lápis esboçando na tela.
Respirou fundo. Cheirinho de chuva misturado ao da manhã. Era sua hora preferida do dia, a mais fria, a mais viva.
Desejava ter bons ouvidos pra contar quantas pessoas ainda dormiam em suas camas.
Sorriu mais uma vez, e o Sol viu. Tocou seu rosto gelado, convidando-a para dançar. E ao som do nascente, ela dançou com as cores do céu.
Acho que estou escrevendo muitas coisas com Sol no meio, haha :)
Canalha do Sol
E ela fez de novo, como se o vermelho derramado com salgado já não fosse suficiente. Prometeu que jamais aconteceria outra vez, jurou diante do espelho, selou com lágrimas. "Jamais me apaixonarei outra vez".
Pobre menina, teve a alma fisgada pelo olhar bandido de refém do sol. Podia sentir naqueles lábios o gosto de luz, nas mãos sentia o ardor, pecado, inferno sedutor. O cheiro era de pôr-do-sol.
Como qualquer infrator, ele cuspia na lei. Complicado e perfeitinho, jogou fora o fim de erva queimada. Depois de aproveitar a viagem, de revirar a mente, de suar no corpo inocente, da fome carnal, enfim, o fim.
E de queixo pro sol, ela chorou sorrindo.
"I know I hurt you, I know I hurt you".
Sete Cores e Sete Segredos
Eu não sei a quantas anda o arco-íris. Esqueci de contar as moedas de ouro do Fim, e só tarde demais descobri que precisaria delas. Cada uma delas. E do duende! Me disseram que seria ele que contaria a história das cores. Na verdade eu só quis saber do Vermelho e do Anil, mesmo tendo o Amarelo sido tão simpático.
Fui embora e esqueci de dar tchau. Achei que voltaria logo, que o duende havia gostado dos caramelos e da tarde chuvosa, mas eu não voltei. Quem me levou ali não quis me mostrar como chegar, ou como voltar.
Bem que me disseram, que depois de encontrar uma vez o Fim, não se encontra outro. É só uma vez, e você nunca esquece. E depois quer mais, e espera ansioso pela próxima chuva e pelo próximo arco-íris.
Agora, naqueles dias que chamam de casamento de espanhol, é só surgir o Vermelho que a Nostalgia vem me visitar. Ela sim sabe como voltar, como ir, como vir. E sempre se lembra de deixar uma lágrima.
Só não deixo de pensar, que como em toda gota d'água, a da lágrima também carrega as sete cores, os sete segredos, o Fim, e aquele começo do beijo sem cor, que aos poucos foi se colorindo, e que no final ficou sem cor de novo.